Intercedendo por Vidas

Na cidade de Cafarnaum, “ o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo.
E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo.” (Lc 7.2-3)

Neste contexto, os anciões eram o conselho de pessoas que administravam os assuntos públicos e religiosos da época, eram dotados de certa autoridade, prestígio social e muito respeitados por sua sabedoria e experiência ¹.

Os anciões ao se aproximarem de Jesus, “… rogaram-lhe muito, dizendo: É digno de que lhe concedas isto,
Porque ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga.” (Lc 7.4-5)

Os anciões intercederam favoráveis ao pedido do centurião junto a Jesus, dando bom testemunho do mesmo, devido as boas obras praticadas por ele.

Centurião era um cargo de oficial militar romano que comandava um grupo dentre cem homens. Apesar deste cargo lhe imputar certa autoridade na sociedade, em humildade, o centurião enviou á Jesus pessoas que considerava mais dignas que a si mesmo de estar na presença dEle, desconsiderando o próprio título social  ².

“E foi Jesus com eles; mas, quando já estava perto da casa, enviou-lhe o centurião uns amigos, dizendo-lhe: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado.
E por isso nem ainda me julguei digno de ir ter contigo; dize, porém, uma palavra, e o meu criado sarará.
Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados sob o meu poder, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz.” (Lc 7.6-8)

Assim como as pessoas obedeciam ao centurião pelo mesmo estar sujeito á uma autoridade humana, que o delegava poder, o centurião reconhecia que Jesus Se submetia á Deus, que O delegou poder e autoridade espiritual.

“E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé.” (Mt 8.10)

Jesus se maravilhou da fé declarada publicamente por aquele oficial militar no momento de intensa tribulação. Pois além de seu estimado servo estar muito doente, ele recorreu ao Senhor em uma cidade que rejeitou Seus ensinamentos, apesar ter sido centro do ministério de Jesus ³.

Portanto, o centurião “andou na contramão” da sociedade, preferindo honrar ao Senhor com sua humilde postura de se considerar indigno de estar em Sua presença e confessar publicamente a fé que possuía na santidade e a autoridade espiritual do Senhor Jesus.


O perfil do centurião foi traçado sob três distintas óticas :

  • Segundo os anciões, o centurião provou merecer ter seu pedido atendido por Jesus devido ás boas obras que praticou;
  • O centurião se considerava indigno de estar na presença de Jesus ou de O receber na própria casa;
  •  Jesus se maravilhou do posicionamento de fé do centurião. Portanto, o considerou  digno de servir como bom exemplo a ser seguido pelo povo hebreu.
As boas obras podem suprir as necessidades das pessoas e, consequentemente, quem as praticam costumam ser indivíduos bem estimados pelos demais. Entretanto,  a melhor opinião que possamos obter são as pronunciados pelo Senhor, que diferentemente do ser humano, não possui o próprio julgamento influenciado segundo a aparência ou conveniência 4.

Continuando…

“Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou.” (Mt 8.13)

Quando os anciãos intercederam á Jesus em favor ao pedido do centurião, Jesus demonstrou que atenderia. Entretanto, a fé do centurião foi tamanha, que o Senhor operou segundo o direcionamento deste (enviando Sua palavra de cura por mensageiros). Primeiramente, o agir de Deus depende de Sua soberania sobre nossas vidas e, de forma secundária, depende do nosso posicionamento nEle.

Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.” (Hb 11.6)


Pedro e demais apóstolos da igreja primitiva, ao serem admoestados por autoridades religiosas devido á pregação do evangelho de Jesus, responderam-nas:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (At 5.29)


 E, assim como o centurião citado, tenhamos fé na palavra de Jesus e Seus ensinamentos; sendo praticantes de boas obras para Seu reino em amor, como intercessores, servos e líderes humildes, amáveis, reverentes ao Senhor e cientes do quanto necessitamos santificar nossa casa e vida á Deus, ainda que estivermos vivendo na “contramão” dos ensinamentos da sociedade.

E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus.” (Lv 20.26)

 

A paz do Senhor !


Referências:

  1. Lv 19.32; Ex 4.28-31; Dt 22.18; Jr 19.1; Mt 27.41
  2. Dicionário da Bíblia de Almeida, 2ª ed. , pag 41 ; At 10.1; 22.26-27; 23.17
  3. Lc 4.31; 10.15; Mc 1.21; Jo 6.17; 6.24; Mt 11.23; 4.13; 8.6
  4. 2 Co 9.12; Gl 2.6; 1 Sm 16.7; Pv 28.21
FacebookTwitterGoogle+Compartilhar

Publicado por

Gisele

" É necessário que Ele cresça e que eu diminua." (Jo 3.30)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *