Conselhos na Prova

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.” (Jó 1.1)

Jó possuía sete filhos, três filhas, milhares de animais e muitíssimos servos, ” de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente.” (Jó 1.3)

“E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.

Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.” (Jó 1.6-7)

Satanás, o opositor de Deus e dos homens, veio da terra. Portanto, naquele momento ele não estava na terra. Mas sim, se apresentando diante do Senhor em um concílio celestial. Os filhos de Deus, neste contexto, são os anjos de Deus ¹.

Os anjos são espíritos enviados para servir aos que herdarão a salvação. E, os anjos destas pessoas estão sempre na presença do Pai .².

E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.” (Jó 1.8)

Satanás respondeu que Jó O temia por interesse. Visto que o Senhor, fazia-o prosperar em tudo e o protegia. E, continuou:

“Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face. E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.” (Jó 1.11-12)


Depois disto, em apenas um dia, milhares de animais de Jó foram roubados, a maioria de seus servos mortos pelos ladrões e os demais animais e servos foram mortos pelo fogo que veio do céu.

Enquanto ouvia seguidamente cada tragédia, Jó manteve-se em silêncio. Porém, quando recebeu a notícia sobre a morte de seus filhos ³ “… Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou.

E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1.20-21)

Apesar do sofrimento, Jó agiu em temor e reverência á Deus, demonstrando quão grande era sua fé, ainda que aparentasse que tais tribulações viessem do Senhor.

Satanás apenas age sob a autorização Divina e usou sinais como o vento e fogo caindo do céu. Aparentando, que era Deus quem agira contra Jó 4.

Portanto, é primordial para o cristão possuir discernimento espiritual para  interpretar corretamente a natureza dos sinais que presencia. O servo de Jó, erradamente os associaram á Deus 5. Entretanto…

 “Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.” (Jó 1.22)


Em outro dia, novamente  satanás surgiu com intuito de se apresentar perante o Senhor contra Jó. Como o Senhor é onisciente, adiantou-se na apresentação de Jó com bom testemunho deste e declarou que o mesmo não merecia tamanha provação (Jó 2.3).

Em seguida, satanás incitou á Deus tocar na vida de Jó:

Porém estende a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se não blasfema contra ti na tua face! ” ( Jó 2.5)

Deus deu permissão para satanás tocar na saúde de Jó, mas não na vida. Logo, ainda que o agir do inimigo seja de forma poderosa, é por Deus limitado. No entanto, Deus não permite que sejamos tentados além da nossa capacidade de suportar 5.

“Então saiu Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó de úlceras malignas, desde a planta do pé até ao alto da cabeça… Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre.

Porém ele lhe disse: Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.” ( Jó 2.7-10)


Elifaz, Bildade e Zofar eram três amigos de Jó, que ao saberam de tudo que lhe ocorrera, ” combinaram condoer-se dele, para o consolarem.

E, levantando de longe os seus olhos, não o conheceram; e levantaram a sua voz e choraram, e rasgaram cada um o seu manto, e sobre as suas cabeças lançaram pó ao ar. E assentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dor era muito grande.” (Jó 2.11-13)

O ato dos amigos rasgarem as próprias vestes indica luto. Entretanto, as atitudes deles não foram espontâneas, mas sim, orquestradas previamente (v11). Ainda que bem intencionadas, não alcançaram o objetivo de consolarem Jó. Pois, ” Depois disto abriu Jó a sua boca, e amaldiçoou o seu dia.” (Jó 3.1)

Portanto, é primordial que quando estivermos na presença de alguém que esteja atravessando grandes dificuldades na vida, devemos agir com equilíbrio emocional e sabedoria para não desestabilizemos ainda mais esta pessoa.

Seguidamente, com aparência de incentivo emocional, os três amigos acusaram Jó de estar sofrendo tamanha tribulação por estar em pecado. Logo, exortaram  Jó á confessá-los perante o Senhor e se arrepender dos mesmos, para que o mal fosse retirado de sobre ele 6.

Em resposta, Jó justificou que suas queixas eram devido á muitas angústias que sofria. Em seguida, começou á atribuir á Deus todo o mal que lhe sobreveio. Desta forma,  os amigos de Jó o induziram á errar contra Deus. Jó disse que estes deveriam agir com compaixão e não traiçoeiramente com especulações 7.


Elifaz baseou seu argumento em palavras proferidas por um espírito durante um sonho. Bildade, aparentando impaciência, acusou Jó de hipocrisia e baseou seu discurso na tradição do povo. E Zofar, chamou Jó de mentiroso 8.

A palavra de Deus nos ensina á provar os espíritos para conhecermos a natureza dos mesmos:

” Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.

Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;

E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo.” (1 Jo 4.1-3)

O Senhor ainda diz:

“Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria; eu sou o entendimento;” (Pv 8.14)

Quando estamos diante de uma pessoa que esteja passando por provas, busquemos consolo para esta na palavra do Senhor com amor. Semelhantemente á  Jó, ela pode desconhecer a razão da prova e sentir-se cada vez mais desolada.

Ainda assim, Jó reconhece a onipotência Divina, sua condição de pecador e pede á Deus para dizer o motivo de estar vivendo tais tribulações. Jó ignorou ensinamentos justificados na idade da pessoa, oriundos de visões ou sonhos místicos, tradições ou baseados em teologia que rejeita o espírito da Lei (o que Deus realmente pensa e deseja) 9.

Elifaz, Zofar e Bildade repreendiam á Jó de maneira cada vez mais rude, acendendo sua ira contra os mesmos. Conduzindo-o á um estado humilhante, de zombaria, aprofundando-o na depressão. Logo, Jó pediu á Deus alguém para o interceder em oração 10.

Neste momento de provação, Jó foi injuriado, sentiu-se desonrado e todas as pessoas, inclusive a sua esposa, o considerava repulsivo ¹¹.

Deus reponde á Jó com uma série de perguntas, demonstrando Sua soberania, onipotência e os erros de Jó atribuir á Deus as provas que atravessou, por auto-denominar sábio e abandonado pelo Senhor. Logo, Jó se humilhou perante Deus pedindo-lhe perdão ¹².

” Sucedeu que, acabando o Senhor de falar a Jó aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos, porque não falastes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.” (Jó 42.7)

Logo, o Senhor testemunhou á favor de Jó para os amigos que o oprimia. E disse que para não serem punidos, segundo suas transgressões, Jó deveria interceder por eles em oração. Ou seja, além de justificado pelo Senhor, Jó foi colocado diante de Deus para interceder por quem deveria anteriormente ter feito isto por ele.


A história de Jó também nos ensina que:

  • Atribulação não está necessariamente vinculada á uma vida em pecado;
  • É desapropriado discutir teologia com pessoas que estejam vivenciando sofrimento severo. Pois, neste momento a pessoa pode dizer palavras que necessitam de demonstração de compaixão;
  • A verdadeira sabedoria e justiça está em Deus;
  • Aceitar os planos de Deus para a própria vida inclui o sofrimento;
  • Julgar alguém por alguma possível falta, sem o direcionamento Divino, não nos tornam justificados diante de Deus;

Até momentos antes do fim de sua provação, Jó possuía fé em Deus apenas por ouvir falar dEle. Porém, ao término da mesma, Jó confessa :

“Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos.” (Jó 42.5)
Jó aceitou a soberania do Senhor sobre a própria vida. Pois, com os olhos da fé e maior discernimento espiritual, seu entendimento em relação as obras do Senhor forma iluminados.
“… nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm 5.3-5)

Depois que Jó orou pelos seus amigos, Deus o tornou próspero novamente “e o Senhor acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía.” (Jó 42.10)

Então, todos seus familiares e conhecidos o procuraram, o consolaram e o abençoaram com bens e “… abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro … ” (Jó 42.12)

“E depois disto viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos, e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração.
Então morreu Jó, velho e farto de dias.” (Jó 42.16-17)

Assim como Jó, muito antes de termos bons testemunhos dos homens sobre nós aqui na terra, que Deus já esteja testemunhando á nosso favor nos céus!

Disse o Senhor: “Observaste tu a meu servo Jó?…” (Jó 1.8)
A paz do Senhor!

Referências:
  1. Jó 38.7; Zc 3.1; Mt 4.1
  2. Mt 18.10; Hb 1.13-14; 1Rs 22.19;
  3. Jó 1.13-19
  4. Jó 1.16; 1.19
  5. Jó 2.6; 1Co 10.13
  6. Jó 4.8; Jó 5; 8.3-6; 22.3-5; 22.22-23
  7. Jó 6.1-4; 7.20-21; 9.17-18; 10.2-3; 10.7-8; Jó 6.14-15; 6.27; 14.13; 23.16
  8. Jó 4.12-21; Jó 8.2; Jó 8.13-14; Jó 8.8-10; 11.1-3
  9. Jó 9.4-10; 9.15; 9.23; 10.2; Jó 12; 13.5
  10. Jó 15.1-5; 15.16; 16.1-7; 16.10; 16.15-16; 16.20-22; 17.1-4; 17.6-8; 18.1-4; 19.2-3; 23.2
  11. Jó 19.13-19; 22.6-10; 30.18
  12. Jó 38.2; 41.13-28; 42.1-6

 

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Publicado por

Gisele

" É necessário que Ele cresça e que eu diminua." (Jo 3.30)

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