Aos Passos da Fé

Após Jesus realizar o milagre da multiplicação de pães perante milhares de pessoas, as mesmas desejavam levanta-lO como rei dos judeus á força ¹ . O propósito de Jesus não era este. Logo, “ ordenou Jesus que os seus discípulos entrassem no barco, e fossem adiante para o outro lado, enquanto despedia a multidão.

E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.

E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário;

Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar.” (Mt 14.22-25)

Jesus nos deixou como exemplo que além de buscar á Deus Pai na intimidade, Sua vida de oração independia de outras pessoas. Inclusive, não renunciava a prática da mesma antes ou após as obras que viesse a realizar em nome de Deus Pai.

“E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo.
Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais.” (Mt 14.26-27)

Desejoso por vivenciar uma experiência diferente com Jesus, Pedro, ciente de que a palavra do Senhor tem poder ², respondeu-lhe:

“Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas.

E ele disse: Vem.” (Mt 14.28-29)

Como uma ovelha reconhecendo a voz do seu bom Pastor (Jesus ³) , “… Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus.

Mas, sentindo o vento forte, teve medo e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me!” (Mt 14.29-30)

Pedro vivenciou o sobrenatural com Jesus, andando sobre as águas, quando o fez pela fé. Porém, á partir do momento que permitiu ser dominado pelos sentimentos, se atentando para o que estava ao seu arredor, entrou em desespero e começou á afundar.


Segundo os romanos, a quarta vigília correspondia ao horário entre ás 3 (três) e 6 (seis) horas da manhã. Contudo, apesar dos discípulos estarem sofrendo grande tribulação desde á tarde, apenas na madrugada o Senhor se dirigiu á eles 4 . Entretanto, quando Pedro começou á afundar, seguidamente, “ Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?”  (Mt 14.31)

Deixando-nos claro, que Jesus não deseja que seus discípulos pereçam. E, por mais que acreditemos que a providência esteja demorando, Jesus está sempre pronto e disposto a agir no momento certo á nosso favor.


A subida de Jesus ao monte para orar, indica a Sua assunção aos céus após Sua ressurreição. O barco representa a igreja. E, os discípulos do barco são os membros da igreja de Cristo, que quando ordenados á entrar no barco e seguirem á diante, caracterizam a ordenança de Jesus de propagação do evangelho para todos em toda a parte 5 .

Certa vez Jesus falou: “… se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” (Mt 18.19-20)

Portanto, após Jesus ter anunciado a Palavra á milhares de pessoas, separou Seus discípulos e ordenou-os a seguirem adiante, unidos, em perfeita comunhão em Cristo Jesus, suportando e auxiliando um na fraqueza do outro  6 .

Os companheiros de barco de Pedro também passaram pela tormenta. Porém, Pedro foi o único que pediu, em meio á ela, viver algo diferente com Jesus.

Quando Pedro saiu do barco, naturalmente seus companheiros puderam ao menos imaginar:

– Pedro não deveria pedir para sair do barco. Ele não sustentará.

De fato, Pedro não se sustentou naturalmente sobre as águas. Primeiramente, a fé na palavra de Jesus o fez . E, quando fraquejou nela, Jesus estendeu a mão para o auxiliar.

Tal passagem nos ensina que cristãos mesmo buscando ter uma vida em obediência e temor ao Senhor, passam por tribulações.  E, quanto mais pedimos á Jesus viver alguma experiência espiritual com Ele, mais , pela fé, devemos caminhar em direção á Ele.

Inclusive, nem toda tribulação vivenciada por um servo de Deus é resultado de uma vida em pecado.

Entre os discípulos de Jesus no barco, existiam pescadores. Portanto, o mar era uma ambiente de trabalho muito familiar para alguns deles. No entanto, por mais familiarizados pudessem estar á respeito dos intempéries deste lugar, o ambiente somente se normalizou com a presença de Jesus no barco. Com conseguinte, por mais aptos ou seguros podemos julgar estarmos para enfrentar determinadas dificuldades, existem situações que apenas a presença de Jesus poderá resolvê-las.

Dentre outras caracterizações, o vento na bíblia pode ser uma força impeditiva7 , sinal de início ou fim de tribulações8 e pode trazer transformação9 . Já a tempestade é uma consequência do vento e pode significar ira Divina e opressão10 . Portanto, o vento contrário que açoitava o barco dos discípulos de Jesus foi uma tormenta enviada por Deus para transformação da mentalidade deles quanto a natureza de Jesus. Pois, “…  quando subiram para o barco, acalmou o vento.

Então aproximaram-se os que estavam no barco, e adoraram-no, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus.”  (Mt 14.32-33)

Ou seja, por maiores milagres que tenham vivenciado através de Cristo, os discípulos, por terem o coração “endurecido”, não conseguiam compreender como Jesus operou tais milagres por não conhecerem quem Ele é  11 . Porém, após a intensa provação que acabaram de vivenciar,  somado ao desfecho desta história, eles O reconheceram como o Filho de Deus.

Em meio á tempestade, quando avistaram Jesus, Seus discípulos acreditaram que fossem um fantasma. Pois, a tempestade muda o aspecto do ambiente, podendo afetar diretamente a percepção das coisas que lá acontecem.

Portanto, quando estamos vivendo em uma “tempestade”, se não estivermos com os olhos “fixos” em Jesus, estaremos sujeitos á errar. Pois, nesta situação, é comum sermos conduzidos á analisar o ambiente e pessoas conforme nossas emoções.


O caminhar de Jesus sobre as águas, somado á calmaria do vento devido á presença dEle no barco, demonstrou aos discípulos a majestosa presença e poder de quem reina sobre o mar.

“Ó Senhor Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ti?

Tu dominas o ímpeto do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar.” (Sl 89.8-9)


Todos aqueles homens avistaram a glória de Jesus. Entretanto,  nesta situação, apenas Pedro pode falar que a glória do Senhor brilhou em sua vida, pois pela fé, caminhou sobre as águas com o Senhor dos Exércitos.

 

“Porque andamos por fé, e não por vista” (2 Co 5.7)

 

 

A Paz do Senhor !

 

Referências:

  1. Jo 6.5-15
  2. Gn 1.3; Lc 5.5-6
  3. Jo 10.1-18
  4. Mc 6.47-48
  5. Mc 16.14-20
  6. Rm 15.1-7; Ec 4.9-12
  7. At 27.15,
  8. Ex 10.13; Ex 10.19
  9. Gn 8.1; Ez 27.26; Ex 14.21
  10. Je 23.19; Is 25.4
  11. Mc 6.51-52; Mc 8.17-21

 

FacebookTwitterGoogle+Compartilhar

Publicado por

Gisele

" É necessário que Ele cresça e que eu diminua." (Jo 3.30)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *